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Como estimular a linguagem e fala da criança com fissura labiopalatina?

A primeira coisa a ser esclarecida é que o desenvolvimento da linguagem da criança com fissura labiopalatina é normal, ou seja, igual ao de qualquer outra criança com desenvolvimento típico da linguagem.

O que é linguagem?
A linguagem é a capacidade que temos de entender, abstrair conceitos diversos, como nomes de objetos e pessoas, sensações, ações, …., e também de usar estes conceitos em sua comunicação. Então, a criança aprende por exemplo o que é a sua mão e, quando ela quer mostrar para a mãe que sujou sua mão, ela saberá fazer isso, mesmo que seja apenas chamando a atenção e dizendo “mão! mão!”. À medida que a linguagem vai se desenvolvendo, a criança tem seu vocabulário aumentado e a comunicação passa a ser predominantemente oral, dizendo “mãe! eu sujei a mão com a tinta.”.

Como ocorre o desenvolvimento da linguagem?
Todo este processo de desenvolvimento da linguagem ocorre no sistema nervoso. As informações do mundo em torno da criança chegam até o cérebro por meio da audição, visão, tato e paladar. Lá ocorre o processamento e o armazenamento destas informações, fazendo com que a criança compreenda o conceito aprendido e guarde-o para usar em uma nova situação.
Por isso, é sempre muito importante garantirmos a saúde das vias de entrada de informação. Se uma criança não ouve bem, ela terá dificuldades em aprender os sons e nomes das palavras assim, o desenvolvimento de sua linguagem será mais lento, pois ela precisará ser apresentada mais vezes a sons mais fortes para que aprenda completamente. O mesmo podemos pensar para a visão. Por isso quando há suspeitas de atraso do desenvolvimento da criança, é preciso avaliar estas vias de entrada de informação, com médico otorrinolaringologista e oftalmologista, além do pediatra.

O que é fissura labiopalatina?
A criança com fissura labiopalatina nasceu com uma malformação das estruturas de sua boca. As fissuras de lábio impede a continuidade do músculo do lábio e, em alguns casos, também do osso da gengiva. Já a fissura de palato (total ou parcial) trata-se de uma abertura do céu da boca, mantendo uma comunicação constante entre boca e nariz, dificultando de imediato que a criança tenha força na boca para mamar e falar (pois esta força é obtida a partir do controle da pressão de ar – que acaba sempre “fugindo” para o nariz). Crianças com fissura de lábio e palato têm a combinação destes prejuízos.
Quando há fissura de palato, o músculo que está rompido traz interferências na função da tuba auditiva responsável por equilibrar a pressão e manter a limpeza da região do tímpano (ouvido médio). Então, as crianças com fissura no palato têm mais riscos de apresentar problemas auditivos, por acumular secreção no ouvido médio. Esta secreção age como uma barreira para a passagem do som pelo ouvido, prejudicando as informações auditivas que chegam ao cérebro. É como você assistir televisão tampando os dois ouvidos com a mão, você ouve as vozes, mas dependendo do timbre, volume ou ruído, pode ter maior dificuldade de compreender tudo.
Como a cirurgia do palato (palatoplastia) ocorre entre 12 e 18 meses de idade, é importante realizar um acompanhamento periódico com médico otorrinolaringologista. Casos em que há um constante acúmulo de secreção no ouvido podem ter indicação de uma microcirurgia no ouvido (colocação de dreno no tímpano), muitas vezes realizada no mesmo dia da palatoplastia.

Como é o desenvolvimento da linguagem das crianças com fissura labiopalatina?
Sabendo de todas as informações acima, fica fácil compreender que a linguagem da criança com fissura labiopalatina, se não tiver comprometimentos no ouvido, tem seu desenvolvimento típico, como de qualquer outra criança.
Quando há comprometimento auditivo, ela poderá apresentar um atraso que estará diretamente relacionado à audição ou seja, melhorando a saúde auditiva, teremos um salto no desenvolvimento da linguagem.

No vídeo a seguir, a Dra. Daniela Barbosa aborda este assunto em sua palestra no Primeiro Congresso As Fissuradas, que aconteceu em julho de 2018, na cidade de São Paulo, e os também fonoaudiológos Bia Sá e Rubem Abrão dão dicas para a estimulação com a música e as artes:

Dra. Daniela Barbosa no Congresso As Fissuradas.
Dra. Bia Sá demonstra a importância da estimulação da linguagem com a música.
Dr. Rubem Abrão mostra como as artes auxiliam no desenvolvimento da linguagem das crianças.

Quanto mais natural estas atividades forem sendo introduzidas na rotina da criança, mais rica será a vivência dela com diferentes estímulos e experiências, e maior será seu desenvolvimento!

Um abraço!

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