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Fissura Labiopalatina – A fala da criança com fístula oronasal

 

Crianças que nasceram com fissura labiopalatina (lábio + palato) ou palatina (apenas palato) apresentam desafios a serem vencidos desde os primeiros momentos de vida. A fissura no palato traz como consequência dificuldade em gerar pressão dentro da boca, necessária para a extração de leite do seio materno ou da mamadeira (utensílio necessário na maioria dos casos). Quando o bebê não tem pressão adequada na boca, ele permanece tentando extrair o leite (afinal, está com fome!) até que seu esforço é vencido pelo cansaço e então ele se rende ao sono.

Para adequar a alimentação destes bebês, a Fonoaudiologia atua com técnicas facilitadoras como translactação ou seleção/adaptação de mamadeiras. A evolução desta alimentação ocorre de forma natural (alimentos pastosos a partir dos 6 meses, sólidos aos 12 meses) às vezes necessitando de pequenos ajustes. Esta evolução é necessária, pois garantirá que a musculatura do rosto do bebê se desenvolva e fortaleça, permitindo assim que tudo fique no seu devido lugar: boca fechada, língua dentro da boca e bochechas fortes). A ação dos músculos do rosto e da boca durante a alimentação têm relação direta com este fortalecimento.

Ao passar dos meses, o tratamento cirúrgico para a correção da fissura palatina está prestes a iniciar, dependendo apenas dos índices de crescimento (ganho de peso, altura, desenvolvimento) do bebê. Fechar o palato é necessário, pois próximo aos 12 meses de idade o organismo está prestes a iniciar suas rotas de adaptação também para a articulação dos sons da fala e isso deixará a fala com as características “fanhosas” (voz nasalada e a troca dos sons das letras por outros sons que não existem na Língua Portuguesa). Por isso a palatoplastia é realizada entre 12 e 18 meses de idade, garantindo que ao começar a falar palavras com significado, a criança possa aprender estes sons da forma correta, usando a boca e não a garganta para gerar pressão de ar.

Há casos em que permanece um buraco no palato, mantendo a inadequada comunicação entre a boca e o nariz, é a chamada fístula oronasal. Podem estar localizadas em qualquer parte do palato, apresentando tamanho e formato variados. Têm causas diversas, podendo estar relacionada à largura da fissura palatina, tensão dos tecidos do palato após a cirurgia, choro excessivo da criança no pós-operatório (tensionando a musculatura recém-operada), infecção dos pontos causada por inadequada higiene oral, acidentes com objetos dentro da boca, etc.

Ficou uma fístula oronasal, o que vai acontecer?

O ideal é que um médico avalie. Dependendo das características de cada fístula, pode-se esperar que feche sozinha, que não interfira na fala e alimentação da criança ou, que seja necessário o fechamento cirúrgico ou com uso de placas de acrílico. A indicação do melhor tratamento e idade para a correção será definido pelo cirurgião plástico.

Ficou uma fístula oronasal e meu filho está com dificuldade na fala, e agora?

Ao ser observada qualquer dificuldade na fala, o tratamento fonoaudiológico deve ser iniciado. Este tratamento levará sempre em consideração o fato da fístula manter a comunicação entre a boca e o nariz sendo a responsável pela dificuldade em falar os sons de maior pressão na boca, pela voz nasalada e/ou pelo ar que ouvimos sair no nariz da criança durante a fala. O fonoaudiólogo usará recursos que permitam que a criança consiga gerar pressão de ar na boca, como tampar a fístula com materiais específicos ou pedir à criança que tampe o nariz durante a fala de determinados sons ou execução de exercícios, garantindo que recrute e fortaleça a musculatura responsável em evitar a nasalidade da voz e que a criança tenha o aprendizado da forma correta de emitir os sons da fala.

Mas então ele fará fonoterapia para sempre?

O tratamento fonoaudiológico terá como referência a correção da fístula oronasal. Feita esta correção (cirúrgica ou com próteses), o profissional irá verificar como a criança conseguirá falar conforme aprendeu, mas agora sem os recursos externos que auxiliavam a gerar pressão de ar na boca. Caso tenha ainda alguma dificuldade, a fonoterapia auxiliará a finalizar este processo de correção da fala e garantirá o pleno aprendizado da fala correta, até o esperado e merecido momento da alta fonoaudiológica.

 

Saber que há casos que podem ocorrer a fístula e que os caminhos a serem trilhados garantirão, apesar do percurso um pouco mais longo, o mesmo resultado final: a fala adequada.

14 comentários em “Fissura Labiopalatina – A fala da criança com fístula oronasal”


  • Raquel de Souza Lima Monteiro / Responder

    Daniela agradeço todo carinho e atenção que você tem dedicado aos pequenos do nosso grupo! Acho super importante para os pais saberem que mesmo depois da palatoplastia ainda podem acontecer problemas como a fístula.
    Quando a Marina operou eu sabia que o palato poderia ficar curto, que eles tentariam fechar por completo, mas podia não acontecer… Quando o médico disse que tinha conseguido, foi um alívio… pensamos que estaria tudo resolvido em uma cirurgia só. Daí perdemos a cirurgia do palato mole e apareceu uma fístula no duro. Foi feita uma segunda cirurgia e mesmo com cuidado redobrado ainda restam duas fístulas. Os médicos cogitaram que ela poderia ter aberto os pontos com a própria língua ou ela ter tido alguma reação ao tipo de fio que eles usaram… vai saber!
    Mas o importante é que com o acompanhamento de fono estamos tendo bons resultados de fala, mesmo com fístula.
    Amei o artigo!


  • Valéria / Responder

    Bom dia, dra. Daniela!
    Tenho uma netinha com 3 anos e 10 meses que nasceu com fissura lábio palatina e está fazendo tratamento fonoaudiológico, mas eu não tinha conhecimento da presença da fístula. Como sabemos se ela tem? Embora ela tenha desenvolvido muito com o acompanhamento o som de algumas consoantes de forma errada ainda persiste. Será que são as fístulas? Como sei se ela tem?


    • Daniela Barbosa / Responder

      Oi Valéria,
      fístulas são buracos que permanecem no palato mesmo após a palatoplastia. Ao olhar dentro da boca da criança é possível observar a presença delas. Nem toda fístula traz prejuízos à fala, como algumas que são bem pequeninas.
      Abraços.


      • Valéria / Responder

        Obrigada Daniela!
        Minha filha conversou hj com o fono e ela tem uma fístula bem no meio do céu da boca. Moro em Natal/RN e aqui é tudo difícil. Até o cirurgião q a operou não está mais aqui no estado. O fono vai encaminhá-la para fazer em Recife uma vídeolaringoscopia. acho q é isso. Ainda bem q vi seu artigo! Obrigada


        • Daniela Barbosa / Responder

          Que ótimo que sua neta já está em acompanhamento fonoaudiológico.
          Em Recife tem o IMIP, cuja equipe de fissuras labiopalatinas, coordenada pelo cirurgião plástico Dr Rui Pereira, é de grande experiência!
          Um abraço,
          Daniela


  • Raquel / Responder

    Sempre tivem uma dívida, o que impede a falar correta e o lábio ou o palato ?? Tenho filho com fissura.


    • Daniela Barbosa / Responder

      Oi Raquel,
      A fissura do lábio não traz comprometimentos na voz. Já a fissura do palato, por não permitir a separação entre a boca e o nariz, faz com que a voz fique fanhosa e a criança aprenda a falar alguns sons usando a garganta. Por isso a palatoplastia e (quando indicado) a fonoteapia são fundamentais para que a criança não tenha nenhuma sequela na fala.
      Abraços


  • Aida / Responder

    Daniela obrigada pelo texto e pelo apoio de sempre. Não sei se vc lembra de mim mas era a mamãe do mixer kkkkk hj com a graca de Deus Rebeca já come até carne assada. Que Deus siga abençoando a todas as mamães e profissionais dessa grande família de As Fissuradas


    • Daniela Barbosa / Responder

      Oi Aida, que bom ter notícias da Rebeca!
      Seguindo as orientações (por mais que no começo possam parecer impossíveis), os bebês com fissura labiopalatina têm seu desenvolvimento adequado e nos surpreendem a cada dia!
      Parabéns pelo progresso da Rebeca!

      Um abraço,


  • Sherley / Responder

    Olá, sou mãe de Isabela, ela tem 1 ano e 7 meses, nasceu com fenda palatina e foi operada a 6 meses. Infelizmente abriu a fístula e ela tá com dificuldade pra falar. Moro no ES e tô com dificuldades e conseguir profissional pra me ajudar, será que vc conhece alguém daqui que possa me indicar?


    • Daniela Barbosa / Responder

      Oi Sherley,
      Em Vitória/ES há a Profa. Dra. Trixy Niemeyer, na Universidade Federal do Espírito Santo, que tem vasta experiência em fissura labiopalatina. Neste link há os contatos dela: http://www.fonoaudiologia.ufes.br/trixy-cristina-niemeyer-vilela-alves
      Nem toda fístula oronasal causa dificuldades na fala. É importante que seja realizada uma avaliação fonoaudiológica com profissional experiente, para que seja definida quais as causas das dificuldades de fala que sua Isabela apresenta.

      Um abraço,
      Daniela


  • Fernanda / Responder

    Excelente a sua publicação, Daniela. INFELIZMENTE nasci com fenda palatina e permaneci com uma fístula no palato mole, queria muito operar de novo para melhorar a voz um pouco anasalada, mas o médico com quem operei se recusa a fazer de novo, pois na opinião dele está “ótimo”. Faço exercícios com a voz, mas não está adiantando muito não. Você tem algum canal de vídeos onde eu poderia acompanhar? Por você ser uma profissional que cuida desse tipo de caso, talvez me ajudaria. Em BH é difícil achar uma Fono que atende pessoas que nasceram com esse problema, se puder até mesmo me indicar alguém agradeço, de preferência que atenda Unimed. Obrigada!


    • Daniela Barbosa / Responder

      Oi Patrícia. Obrigada por seu feedback. Infelizmente não tenho estes vídeos.
      Seria interessante realizar uma avaliação fonoaudiológica específica para verificar se a nasalidade da sua voz é decorrente da fístula, de alguma dificuldade na função velofaríngea (ação do palato e garganta se tocarem quando falamos sons orais) ou um hábito do seu organismo que mesmo após cessadas as alterações anatômicas, continua “jogando” a voz para o nariz. A partir desta avaliação seria possível definir a melhor conduta para seu caso.
      Não conheço fonoaudiólogos que atuam com fissura labiopalatina em BH, mas sugiro que entre em contato com a Ana, do blog Fissurada na Maternidade, pois ela é de BH e talvez conheça algum profissional para indicar.
      Um abraço
      Daniela


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